Meninas Boazinhas Vão Para o Céu, Meninas Más Vão à Luta

Por: @LuanaClaraSanchez

É com muito orgulho que inicio minha colaboração nessa coluna justamente na edição que homenageia as mulheres. O movimento feminista está em alta, mas a luta pela igualdade de direitos ainda tem muitas batalhas pela frente. Aos que torcem o nariz para o feminismo, sinto informar: vocês ainda vão ouvir falar muito sobre o assunto. Ainda bem!


Tomei a liberdade de "roubar" para o título o nome de um livro da psicóloga alemã Ute Ehrhardt. Em Meninas Boazinhas Vão Para o Céu, Meninas Más Vão à Luta, a autora escancara os padrões de comportamento que ainda reproduzimos (ainda que inconscientemente) das nossas mães e avós. A vontade de agradar a todos, o sentimento de incapacidade, a dificuldade para lidar com o sucesso e as crenças limitantes que impedem o desenvolvimento pleno da mulher são alguns dos temas abordados.


O livro é de 1996 e, mesmo após mais de duas décadas, as estatísticas provam que ainda não conseguimos romper esses padrões. Quer ver alguns exemplos? As mulheres já são maioria na Educação Superior no Brasil, ainda assim recebem salários menores e ocupam menos cargos de liderança. Isso sem contar a subrepresentatividade na política, apesar de representarmos mais de 50% do eleitorado. O Brasil é o 117º país no quesito participação de mulheres no Parlamento, atrás de vizinhos sul-americanos como Peru, Colômbia, Bolívia, Argentina e Paraguai. Os dados relacionados à violência de gênero contra a mulher apontam que o Brasil tem um índice de feminicídio 74% (!!!)  superior à média mundial (uma taxa de 4 mulheres mortas para cada grupo de 100 mil mulheres).


Mas apesar de termos os números contra nós, existe uma esperança que cresce com força dentro de mim! Uma fé inabalável em que as

coisas vão melhorar! Não como num passe de mágica ou por algum milagre, mas porque vejo que estamos vencendo algumas batalhas. O movimento #metoo e #timeisup, encabeçado por estrelas de Hollywood, encurralou poderosos como o produtor Harvey Weinstein, o ator Kevin Spacey e o diretor Bryan Singer. Por aqui, as campanhas nas redes sociais colocaram hashtags como #meuprimeiroassedio, #chegadefiufiu e #deixaelatrabalhar nos trending topics e levantou importantes discussões sobre assédio e machismo no trabalho.


Esses dias, estava trabalhando em um café e duas meninas, aparentemente com menos de 20 anos, discutiam acaloradamente sobre questões ligadas à mulher. Elas usavam com propriedade termos como empoderamento, manterrupting, mansplanning, gaslighting e outros que, confesso, tive até que buscar no Google (sim, tenho esse péssimo - e delicioso - hábito de ficar escutando conversas alheias nos cafés). Lembrei que no meu curso de teatro tem 2 garotas de 16 anos que conseguem improvisar diálogos impressionantes sobre machismo em apenas 3 minutos. Com essa mesma idade, eu não sabia quase nada sobre feminismo. Pior, eu ainda reproduzia velhos comportamentos impostos pelo patriarcado.



Saí do café com o coração dando saltos de alegria! Que bom que acordamos para a nossa condição de mulher cada vez mais cedo! Que bom que estamos mais atentas e fortes! Que bom que a gente pode olhar para as mulheres com quem convivemos com olhos cheios de orgulho, amor e empatia (livres da velha imposição da comparação e rivalidade).
Como diria Chimamanda Ngozi Adichie - outra escritora que eu amo - “Sejamos Todos Feministas”. Acreditem, todo mundo vai sair ganhando!


Recomendação de leitura: Ute Ehrhardt. Meninas Boazinhas Vão Para o Céu, Meninas Más Vão à Luta

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