Um breve manual do homem que queremos nos relacionar…

Por: @moxtravassos

Quantas vezes pensamos que nossos homens poderiam vir com um manual de instrução?! Então, esse manual ainda não está disponível, mas para nossa sorte existem muitos livros e textos que podem nos ajudar ou inspirar.

O material de leitura que consumimos tem a incrível magia de nos causar reações. Para mim, com a imaginação muito fértil, sempre foi fácil suspirar com um cena romântica ou descer algumas lágrimas em cenas dramáticas…

Hoje, trago algumas cenas de alguns personagens de livros que têm o poder de nos encantar, ou nem tanto.

Uma das minhas séries de livros favorita, é o Diário de Bridget Jones, da autora Helen Fielding. O clássico, também conhecido nas suas versões do cinema com a atriz Renée Zellweger, conta a história de uma romântica incorrigível e seus relacionamentos, inclusive depois dos 40 anos.

“Ele não telefonou. Que merda. Estou tão confusa. Todo o mundo dos namoros parece um hediondo jogo de blefes e blefes sobre blefes, com homens e mulheres disparando uns nos outros de linhas opostas de sacos de areia. É como se existisse um conjunto de regras que a gente deve cumprir, mas ninguém sabe quais são, e portanto todo mundo cria as suas próprias.” (Bridget Jones, no limite da razão)

Alguém já teve a sensação que foi tudo lindo, tudo perfeito, teve a tal da química, mas ele não ligou, ou não mandou nenhuma mensagem no dia seguinte? Espera-se naturalmente que o homem esteja à frente das iniciativas, mas tudo bem se o homem moderno não tomar a iniciativa, vamos trabalhar a desconstrução da expectativa de que o homem tenha que tomar as atitudes primárias dentro da relação.

Um clássico da literatura brasileira, Capitães da Areia de Jorge Amado, conta a história de meninos moradores das ruas de Salvador e suas façanhas, é um livro repleto de questionamentos sociais e cenas fortes, tal como:

“- Não precisa, lindeza. Assim mesmo tá bom.

O rosto da negrinha era de terror. Mas quando viu que seu seguidor era um menino de quinze para dezesseis anos se animou um pouco e perguntou com raiva:

- Que é que tu quer?

- Deixa de orgulho, morena. Vamos bater um papozinho...

E a agarrou pelo braço e novamente a derrubou na areia. O medo voltou a possuí-la, um terror doido. Vinha da casa da avó e ia para sua onde mãe e irmãs a esperavam. Para que tinha vindo de noite, para que se arriscara na areia do cais? Não sabia que a Meia das docas é a cama de amor de todos os malandros, de todos os ladrões, de todos marítimos, de todos os Capitães da Areia, de todos os que não podem pagar mulher e têm sede de um corpo na cidade santa da Bahia? Ela não sabia disto, mal fizera quinze anos, havia muito pouco tempo que era mulher. Pedro Bala também só tinha quinze

anos, mas há muito tempo conhecia não só o areal e os seus segredos, como os segredos do amor das mulheres. Porque se os homens conhecem esses segredos muito antes que as mulheres, os Capitães da Areia os conheciam muito antes que qualquer homem. Pedro Bala a queria porque há muito sentia os desejos de homem e conhecia as carícias do amor. Ela não o queria porque fazia pouco que se tornara mulher e pretendia reservar seu corpo para um mulato que a soubesse apaixonar.

Não o queria entregar assim ao primeiro que a encontrasse no areal. E está com os olhos entupidos de medo.

Pedro Bala passou a mão na carapinha da negra”.

Infelizmente presenciamos uma série de relatos sobre violência contra mulheres, muitas vezes vindo de seus parceiros atuais ou ex parceiros, é assunto sério, esperamos do homem cosmopolita que ele entenda e respeite o “não” recebido. Inclusive o homem moderno respeita seu próprio não, afinal tudo bem ele não querer ceder ao sexo em algum momento, pois isso não coloca em questionamento sua masculinidade, acima de tudo, o retira do personagem sempre viril e disposto, imposto socialmente.

O polêmico 50 tons de cinza e suas séries, a autora E. L. James, traz uma perspectiva peculiar sobre um relacionamento, com o contexto erótico entre um bilionário excêntrico e uma estudante de literatura tímida, Christian Grey e Anastasia Steele, os livros foram uma febre e também ganharam suas versões nas telonas do cinema, repleto de cenas quentes e questões sobre relacionamentos, dividiu opiniões e foi causa de grandes debates.

“Estes últimos dias têm sido um inferno. Todos os meus instintos me dizem para deixar você ir, que eu não mereço você. Eu vejo sua dor. E é difícil saber que fui eu que fiz você se sentir assim. Mas eu sou um sujeito egoísta. Eu quis você desde que caiu em meu escritório. Você é delicada, honesta, afetuosa, forte, inteligente, inocente de um modo sedutor; a lista é interminável. Você me deixa bobo. Eu quero você, e a ideia de que outra pessoa possa possuir você é como uma faca perfurando minha alma.”

Devemos incentivar que os homens possam se expressar, dizer o que se sente sem serem julgados pela sua sensibilidade, inclusive dentro de suas relações, o ideal é acolhê-los para sentirem-se confortáveis em conversar sobre seus sentimentos, seus medos e desejos.

Temos aqui três contextos literários distintos, diferentes, épocas, narrativas e nacionalidades, porém todos têm em comum a peculiaridade, rever conceitos, ou influenciar-se nas boas e saudáveis práticas, dos homens que gostaríamos de nos relacionar, seja cônjuge, pai, irmão, amigo, afim de que eles possam nos inspirar tão quantos aqueles que lemos.

 

Espero que os trechos citados tenha aguçado a curiosidade de vocês, as obras estão disponíveis em livrarias online e lojas físicas.