Por: @PedroBuzzatto

SETENTA POR CENTO a mais é o que a grife Stella McCartney gasta para fazer suas coleções ecologicamente corretas. Os dirigentes da marca e a própria Stella têm como maior desejo encorajar a conscientização de estilistas da morte de 50 milhões de animais por ano em nome da moda.


Seja nos sapatos biodegradáveis, nos óculos feitos de materiais naturais com sementes de mamona, na linha de lingerie de algodão orgânico e nos metais reciclados, as escolhas da grife são sempre pautadas pela sustentabilidade e impacto no planeta, inclusive em sua recente linha de roupas masculinas lançada em 2017. Suas peças não possuem nenhum tipo de couro, pele ou penas. A grife acredita que nenhum animal deve ceder sua vida pela moda, tornando-se uma das poucas marcas que pensa de forma responsável no meio ambiente.


Em algumas lojas da marca na Europa a energia é eólica, as sacolas biodegradáveis, os produtos de limpeza não agridem o meio ambiente, o piso é feito de carvalho sustentável e cubos de material orgânico servem de

display para os produtos.  Já nos escritórios, além dos papéis reciclados, existe um rigoroso controle de qualidade na busca da matéria prima. Os tecidos, por exemplo, além de orgânicos, precisam ser tingidos com corantes naturais.


 O processo criativo das coleções busca cada vez mais criar eliminando produtos e processos químicos, investindo em biotecnologia e aliando o design elegante a novos materiais. Como, por exemplo, o tecido idêntico ao couro, desenvolvido pela equipe a partir da raiz de um cogumelo ou a fibra criada com plástico retirado dos oceanos utilizada, inclusive, nas coleções em parceria com a Adidas, uma das mais rentáveis da marca esportiva.



Stella recomprou esse ano metade da sua marca, anteriormente vendida ao grupo que administra a Gucci - retomando o controle total da grife – pois considera esse processo importante para continuar seu legado de investimentos no meio ambiente. Ser sustentável não é uma questão de tendência ou marketing, é o carro chefe de sua marca, que introduz cada vez mais a importância da preocupação com o ecossistema no mercado de luxo multibilionário da moda.