Ainda que falte um longo caminho a percorrer, o movimento feminista já obteve algumas conquistas. Muitas delas começaram com o movimento sufragista, que concedeu o direito ao voto às mulheres.

Por: @BelaHachi

Vivemos hoje em uma era globalizada e mais consciente, mas não podemos dizer que vivemos uma época feminista. Porém, talvez não seja errado afirmar que os tempos estão mudando e caminhando em direção à um futuro mais igualitário - com um longo, longo caminho a percorrer.


Todos os marcos conquistados pelas mulheres - se quiser saber alguns dos momentos importantes desta linha do tempo, veja o Atualize desta edição - foram possíveis graça aos primeiros atos do movimento feminista, que teve como origem o sufrágio feminino, no fim do século XIX.


Para você entender a importância do sufrágio feminino, saiba que foi esse movimento que abriu as portas para a luta por direitos iguais de cidadania. Por isso, é tão importante olhar para o passado para entender como chegamos onde estamos.
De uma maneira bem simplificada, só para acabar com o suspense daqueles que não estavam familiarizados com o movimento sufragista, este é a luta das mulheres pelo direito de votar em eleições políticas. Pois é, algo que para nós parece tão natural e, de certa maneira óbvio, teve que ser conquistado com muita luta e às custas das vidas e reputações de diversas mulheres.


Desde as antigas civilizações na Grécia e Roma até a Revolução Francesa, o voto feminino nunca havia sido permitido. As mulheres eram vistas como capazes de ensinar, mas quando falamos de participação política, não havia conversa: elas eram simplesmente proibidas de participar de decisões importantes na sociedade.


Com a urbanização e industrialização do século XIX, as mulheres começaram a ser inseridas no mercado de trabalho  e, portanto, foram adquirindo mais consciência do seu papel na sociedade. Assim surgiu a luta por direitos iguais de cidadania (direito à educação, propriedades e posses de bens, divórcio, etc.), ganhando foco com o movimento sufragista pelo direito do voto, que ocorreu em diversos países do mundo.


Mulheres de diferentes classes lutaram lado a lado, ainda que em sua primeira onda as mulheres burguesas representavam a maioria do movimento. Ao mesmo tempo em que elas lutaram juntas por motivos comuns, suas necessidades eram diferentes, visto que em uma sociedade com diferentes

camadas sociais, a opressão alcança as mulheres em diferentes níveis.


O movimento socialista também teve uma grande participação na conquista do direito de voto pelas mulheres. Com a chegada do capitalismo, as mulheres conseguiram uma independência financeira que as auxiliava na revolução contra a opressão que a sociedade exercia, mas a nova organização familiar colocava a mulher como subordinada do marido no trabalho doméstico. As formulações do socialismo ofereceram liberdade às mulheres, através do entendimento que seria necessário socializar o trabalho doméstico (que era responsabilidade da mulher), por meio de serviços públicos - como escolas, creche, etc.


Estes estudos serviram de base para diversos avanços durante a época da experiência soviética da Revolução Russa, país onde as mulheres conquistaram o direito de voto, aborto e divórcio.


Outra grande contribuição deste ato que não pode ser esquecido é a participação das mulheres negras. Na Europa, a maioria da classe trabalhadora era branca, mas esse não era o caso dos Estados Unidos, que contava com uma classe operária majoritariamente negra que lutava pela libertação da mulher junto com a luta pelo fim da escravidão.


Harriet Tubman foi uma das representantes e principais personagens deste movimento. Negra e abolicionista, ela lutou contra a escravidão e, no pós-guerra, se tornou uma das maiores oradoras do movimento sufragista norte-americano.


O primeiro país a conquistar o sufrágio foi a Nova Zelândia, em 19893, com movimento liderado por Kate Sheppard. O Reino Unido teve seus protestos reconhecidos em 1918, com aprovação do Representation of the People Act. 


O Brasil alcançou essa conquista na década de 1930, através do decreto nº. 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, assinado pelo presidente Getúlio Vargas.


Diversas lutas que hoje podemos lutar, só são possíveis graças à essas mulheres, que escolheram dedicar suas vidas à um movimento, mesmo que isso significasse punições, assédios verbais, perseguições, entre outros martírios. Tudo para garantir os seus direitos e daquelas que viriam depois delas. Temos muito o que percorrer, mas é necessário agradecer à quem nos ajudou a ter a chance de seguir lutando.