Retrogresso que pode custar a vida

Nós definimos o homem do futuro em relação ao seu comportamento, alimentação, atitudes, mas será que abordamos sua saúde? Vamos nos conscientizar mais e salvar vidas!

Por: @BelaHachi

Nós estamos abordando constantemente o conceito do “novo homem”, não só na edição da RB, mas no dia-a-dia essa é uma pauta em vigor. Falamos sobre o comportamento deste homem, a maneira de se vestir, se relacionar, enxergar o mundo, se alimentar e diversos outros aspectos, mas, será que falamos o suficiente sobre o modo que ele lida com a sua saúde.

Vamos usar um exemplo que possa parecer banal, quantas pessoas sabem o que é Outubro rosa? Acredito que muitas, afinal, o símbolo de prevenção contra o câncer de mama é algo muito falado todo ano - como deveria ser - e, com certeza, auxiliou diversas mulheres a se conscientizarem mais sobre os perigos desse câncer e a importância de se prevenir. 

Agora, quantas pessoas conhecem o Novembro Azul? Acredito que não tantas, uma vez que o movimento de conscientização do câncer de próstata não é tão repercutido, ainda. Por isso, trago-lhes não só um texto sobre esse tipo de câncer ou a campanha Novembro Azul, mas uma adição ao conceito de homem contemporâneo, adição que pode salvar vidas. 

O câncer de próstata é o segundo tipo mais frequente entre homens, só perdendo para o de pele e, mesmo assim, não é um assunto debatido o suficiente. Ele é um tumor que atinge a próstata, localizada abaixo da bexiga e que envolve a uretra. 

Os dados são alarmantes. Em 2018, as estimativas apontam 68.220 novos casos, ou seja, 66,12 casos novos a cada 100 mil homens. Esta doença também é a segunda maior causa de óbitos masculinos no Brasil, com 14 mil registrados. 

    

Existem alguns fatores que podem aumentar as chances de um câncer de próstata, eles são:

    Idade - O risco aumenta ao avançar da idade, no Brasil, a cada dez homens diagnosticados, nove têm mais que 55 anos. 

    Histórico de câncer na família - homens que possuem o gene dentro de suas árvores genealógicas, especialmente aqueles que os casos familiares ocorreram antes dos 55 anos, fazem parte do grupo de risco. 

    Sobrepeso e Obesidade - estudos recentes apontam que excesso do peso pode interferir no risco de ter a doença.

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Os sintomas não aparecem no começo da doença, mas quando apresentados, os comuns são:

    Dificuldade de urinar

    Demora em começar e terminar de urinar

    Sangue na urina

    Diminuição do jato de urina

    Necessidade de urinar mais vezes

Dados todos esses fatos, claramente, a conscientização e prevenção contra esse tipo de câncer é extremamente importante. Porém, encontramos uma pedra no caminho, ou melhor, foi colocada uma pedra no caminho. Dois exames apontam o câncer de próstata, o primeiro sendo o de PSA, um exame de sangue que mede a quantidade de proteína produzida pela próstata - até aí, tudo bem - e o segundo sendo o exame de toque retal, no qual o médico introduz um dedo protegido por uma luva lubrificada no reto, para avaliar tamanho, forma e textura da próstata - e achamos a pedrinha!

Muitos, e quando eu digo muitos são muitos mesmo, homens se recusam a fazer esse tipo de exame, alegando ser um ato homossexual ou não condizente com o que os deixam confortáveis. O pensamento em si já é algo completamente sem fundamentos, uma vez que o propósito é relacionado à saúde e não ao prazer sexual - além de que, como se fosse errado ou ruim ser gay. 

Outro ponto é a infantilidade que isso demonstra, ao preferir arriscar sua vida do que realizar um exame muito importante e necessário que, eu te garanto, não define, nem muda, sua orientação sexual. 

Por último, vamos falar sobre o fator de desconforto. Sim, pode não ser algo confortável, mas é necessário, assim como no caso de mulheres que o exame de mama não é algo apreciado ou o ultrassom intravaginal - nada gostoso! O desconforto é algo negativo, mas não é um fator determinante o suficiente para deixar de realizar o exame. 

O homem do futuro é muitas coisas, mas principalmente, é alguém que cuida de si e da sua saúde, sem tabus, sem preconceitos, sem assumir nada ou colocar sua vida em risco. Ele sabe quem é, aceita e respeita quem é e tem plena consciência de que um exame não é o que define ou muda isso. 

    Se conscientize, se previna e converse sobre com os seus conhecidos.