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Quantas pessoas acreditam que o cabelo comprido é sinônimo de mulher, de sensual, de feminino? Muitas! Mas, qual é o porquê disso? Onde que essa história começou? E, será que ela é mesmo verdade?

O ponto é, não é o comprimento da sua cabeleira que define o quão mulher, feminina, sexy ou qualquer coisa você é, quem define isso é unicamente você, nada mais!

Por: @BelaHachi

Como alguém que recentemente aderiu ao cabelo curto - e não curto ali no ombro como geralmente falamos, mas curto ali na altura da orelha - a primeira coisa que experienciei quando falei que estava pensando em cortar as madeixas foi uma enxurrada de “Por quê?”,  “Seu cabelo está tão bonito!”, “Será que vai combinar?”, “O que x pessoa irá pensar?”.


Em primeira instância, esses comentários me atingiram muito, ainda mais por virem de pessoas que eu dou muito valor à opinião, mas então eu refleti um pouco sobre o que eles queriam dizer.


Vamos analisar um pouco o que eu tinha ouvido:


Por quê? - A primeira coisa que me veio à cabeça foi, por que não? Cabelo curto é algo com muita personalidade, ótimo para quem faz exercício e não tem aquele tempo todo de ficar lavando e secando quilômetros de cabelo, ou simplesmente porque eu estava com vontade, oras bolas!


Seu cabelo está tão bonito! - O primeiro fato que eu tenho a falar é: Ele não estava lá essas coisas. Devido à descoloração feita no passado, minhas pontas estavam quebradas e fracas, o cabelo estava dividido em duas tonalidades. Isso me leva a pensar que o critério para falar se o meu cabelo estava ou não bonito não foi de fato a saúde dele ou sequer a aparência, mas sim o comprimento. Além do fato de que, se o cabelo está bonito - e obrigada pelo elogio - ele ficaria bonito curto também, certo?


Será que vai combinar? - Essa me pegava, eu pensava que meu rosto não era delicado o bastante para um corte curto, ou que eu não era magra o suficiente e por aí vai. O que eu não pensava é que nenhuma dessas ideias que associamos com cabelo curto são regras. Claro, não estou dizendo que não existem cortes que “combinam” mais com certos tipos de rosto, mas no final, seu rosto não muda. O que muda é se você está feliz e confortável, isso transparece e as pessoas te acham mais bonita de certo jeito, simplesmente porque você se acha bonita!


“O que x irá pensar?” - Okay, confesso que essa não me pegou, mas eu achei importante tocar no assunto. Não é difícil ver pessoas perguntando o que certa pessoa - ainda mais se ela for um casinho, namoro e afins - irá pensar da sua mudança de visual. Claro que a opinião de quem amamos importa, mas ela nunca deve ser algo que te impeça de fazer o que você quer com o seu corpo ou ser usada como forma de chantagem e ameaça - (sabe aqueles “se fizer eu te deixo”, “não te acharei mais bonite”)- faça o que te deixa feliz!


Bom, agora que já comentei sobre como toda essa ideia surgiu e abordei o assunto do tão famoso e desejado cabelo comprido, eu queria apresentar um pouco para vocês sobre a história por trás de sua fama e de sua, inegável, ligação com feminilidade, delicadeza e sedução. O que afirmo que não tem nada a ver, afinal nunca me senti tão sensual, poderosa e mulher quanto de cabelo curto. Mas claro, isso varia de pessoa para pessoa.


O ponto é, não é o comprimento da sua cabeleira que define o quão mulher, feminina, sexy ou qualquer coisa você é, quem define isso é unicamente você, nada mais!

O elemento “cabelo comprido” é um identificador de gênero poderoso, principalmente por ser físico e, apesar de extremamente pessoal, um fator público.


Mulheres o têm - não venham com seus cabelos compridos ou coques de samurais homens! #contemironia. Um exemplo disso é Joana D’Arc cortando o cabelo, já que este assim como a guerra, eram considerados propriedades masculinas - não vamos esquecer de Mulan também, criando uma das cenas de animação mais marcantes, cortando o cabelo com a espada, marcando sua nova jornada como soldado.


Vamos voltar e analisar à história para entender melhor como chegamos no presente.


No Egito antigo, madeixas longas significava que a pessoa pertencia à uma posição social superior. Por isso, perucas e mantos eram utilizados para simular o visual. Enquanto isso, os pobres não tinham o luxo de mantê-las, usando um visual raspado, o que fazia possível distinguir as classes sociais.


Foi  Alexandre Magno, por volta de 356-323 A.C, rei da Macedônia, que exigiu que os guerreiros tivessem o cabelo cortado, por técnicas de batalha. No século XVII, o rei francês Luís XIV passou a usar a

famosa peruca branca, sendo imitado pela corte e, assim, distinguindo as classes sociais mais uma vez devido ao corte de cabelo. As perucas só saíram de moda na Europa após a Revolução Francesa.


Para as mulheres, o cabelo comprido sempre teve uma conotação de importância na imagem, de significar a feminilidade e sensualidade. Na Grécia Antiga, um caso muito famoso é o de Medusa, castigada por Atena, que fez com que as ondas do cabelo da górgona tomassem as curvas de répteis. O que nos indica como as madeixas eram importantes - à ponto de serem usadas como castigo.


Na Antiguidade Clássica, os homens que não cortavam o cabelo eram considerados efeminados, apenas com exceção aos filósofos gregos. Enquanto isso, as pinturas do Renascimento também revelam personagens com cabelos muito longos.


A sensualidade em torno dos fios também possui conotação religiosa. É comum em religiões islâmicas que as mulheres não possam mostrar o cabelo em público e este seja guardado apenas para o marido. Assim como na cultura cristã que, segundo São Paulo em carta aos Coríntios, declarava que os cabelos deveriam ser cobertos durante a reza ou ao entrar em um templo.

Na Índia, cortar o cabelo é considerado um sacrifício aos Deuses e em outras religiões as mulheres raspam a cabeça ao perderem os maridos, como sinal de fim para suas vidas amorosas.


Foi a partir dos anos 20 que as coisas começaram a mudar para o lado das mulheres, com a chegada do cabelo curto - se quer saber mais sobre quem começou a o movimento, leia o Conexões de Beleza - mas sabemos que até hoje este ainda é um símbolo muito ligado à gênero, feminilidade e sensualidade.


Como dito no começo, o cabelo é um modo de se expressar, de se divertir, de contar para o mundo quem você é sem usar palavras. Não existem regras ou qualquer coisa que defina você, então se divirta, se jogue, se ame e, aos poucos, vamos quebrando esse conceito - bem antigo!